sexta-feira, 24 de julho de 2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Um sonho de 2021

No meu sonho, haviam três personagens. A mulher de cabelo preto, o homem de cabelo preto e o homem loiro. Certas horas, eu “incorporava” a mulher de cabelo preto, enquanto outras horas a via de longe.


Essa mulher vivia uma história de amor com o homem de cabelo preto. Lembro dos dois saindo na rua, o vento batendo na saia preta que ia até joelho e em seus cabelos. Pareciam felizes, riam. Aí entra o narrador em off, o enredo subentendido. O homem queria casar, ou algum tipo de comprometimento, mas a mulher disfarçava e fugia da questão. 

Depois aparece em um restaurante a noite. Acho que faz uma refeição ou bebe sozinha numa mesa. Estava frio, porque as pessoas usavam casacos, agasalhos. A mulher estava de sobretudo preto. Algumas pessoas estavam em pé na parte do “bar” do restaurante, quando não se tem cadeiras e só aquelas mesas de pé alto. Esbarrou com o homem louro ali. Ele a reconheceu, porque tinham sido colegas de colégio quando pequenos. Me lembrou realmente daquele menino louro que realmente via muitas vezes quando criança e achava lindo, era um pouco mais velho, 2 ou 3 anos. Mas depois ele sumiu. Enfim, os dois conversam, ele é o dono ou a família é dona do restaurante. Acontece uma conexão muito forte, os dois se pegam, não sei direito, ela vai parar na casa dele e fica louca, apaixonada. Dorme lá. Era um quarto simples, num bairro periférico, paredes mal rebocadas. Acho que lembro do sexo, porque era “eu” no momento. Uma hora o homem loiro disse que nos olhavam, e quando virei para ver como isso acontecia, via pessoas subindo uma escada de cimento, que passava do lado de fora da casa, mas rente a janela. Um homem de bigode e uma menina morena nos olhavam, carregavam baldes, acho.

O mais maluco com esse homem loiro é que conversávamos, nos comunicamos, mas era estranho, tinha um apelo sexual estranho.


Nessa paixão a mulher simplesmente some da família, do homem de cabelo preto. A sensação é de que passaram meses, mas foram segundos. Não só porque era sonho, mas também pelo que a personagem vivia ali. Depois eles começam a se dar mal, e ela se arrepende de ter largado o outro. Volta a conversar com ele, pedir desculpa acho, não sei o quê. Não lembro se voltam. Mas lembro desse narrador em off, dessa linha narrativa. Tudo era escuro. Sobre o casamento com homem de cabelo preto, acho que a princípio ela fingiu concordar...teve cenas dos preparativos, mas que se passava em outro momento histórico. França na renascença, início do século XVIII. Cenário de Marie Antoinette, da Sofia Coppola, mas os tons pasteis eram mais sombrios, menos vibrantes. Tinha essa questão dos doces, bolos, a decoração, toalha de mesa. Mas também se escolhia a música, e o principal: o pianista. Vários foram chamados, assisti o recital de vários: Bach, Mozart, não lembro mais. Não eram “eles”, eram pianistas que sabiam interpretar muito bem o estilo específico deles.


***


Em outra parte do sonho eu estava numa sala de cinema liberada durante a pandemia. A Rita Lee era dona da sala e eu tinha conseguido entrar pq era amiga de Graize, Murilo, etc. Acho que antes disso acontecer, eu e algumas pessoas do meu ensino médio fomos barrados por policiais, estavamos numa van, acho. Era noite. Sempre noite. Acho que nos pegaram com bebida, perto ali da terceira ponte, da assembleia legislativa. Mas não deu em nada.


***


Uma baladinha estranha, que misturava vários personagens. Eu devia ser meio que a dona do lugar, mas uma dona distante. Luzes verdes num lugar muito escuro. Tinha uma porta principal e uma saída do outro lado, uma porta (no mesmo formato quadrado) só que sem a porta, só a passagem, que já dava direto pra calçada, pra rua, mas pra uma pequena vila, meio publico meio privado, o vão interno de prédios que se agrupam em quatro. Via um homem careca. Conversava com pessoas, muita gente.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

 A BALEIA (METÁFORA DO DESCASADO)

Dizem que há uma baleia na baixa-mar, encalhada.
Vamos lá vê-la.
Vamos ver se o nosso reduzido e desordenado ânimo
resite à imposição das suas escuras toneladas.
Vamos ver como chora mostrando as suas inábeis
barbatanas
que não nos podem oferecer uma flor
entre dois dedos.
Vamos pedir-lhe que, em troca, nos cante um lamento
com a sua famosa voz de soprano.
Vamos aprender que os animais de pele escorredia
acabam, no fim, por ficar sozinhos.
Vamos ver o agitado desespero da sua grande cauda
que bate na areia, que quer alcançar
águas mais profundas, navegáveis, onde se esteja bem
consigo mesmo.

E se já desencalhou com a maré alta e não estiver lá?
Então sentamo-nos na praia a contemplar o mar.
A metáfora do mar desolado
pode substituir a metáfora da baleia.


.
José Watanabe
(Peru, 1945 - 2007)
In "Espantar a Morte com Ritos Caseiros"

(Tradução de Luís Pedroso) 

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Remate de Males, Mário de Andrade

VIII
Gosto de estar a teu lado,
Sem brilho.
Tua presença é uma carne de peixe,
De resistência mansa e um branco
Ecoando azuis profundos.
Eu tenho liberdade em ti.
Anoiteço feito um bairro,
Sem brilho algum
Estamos no interior duma asa
Que fechou.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

me irrita quando acham que a não-monogamia vai salvar o mundo.

monte de fantasia, desejo e repetição no meio disso, falta de elaboração traduzida em tendências new age.

sábado, 31 de maio de 2025

“Lo desconocido es una abstracción; lo conocido, un desierto; pero lo conocido a medias, lo vislumbrado, es el lugar perfecto para hacer ondular deseo y alucinación”
― Juan José Saer, El entenado

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Meu analista me indicou fortemente a leitura de "Um amor incômodo", de Elena Ferrante, para, em resumo, resolver a questão com a minha mãe. A leitura está sendo magnetizante.

Assim como foi ler "Diário de produção e roteiro de um filme chamado Temporada", do André Novais.

E o mais louco foi ter sido atiçada para essas leituras através de Exu. 

Escutando entidades.

Tudo que me é dito, também me escapa.

Como uma névoa que me rodeia, me escapa e outra hora me pega, me agarra, me leva.

(Com a pedra que atirou ontem,
Exu matou um pássaro hoje.)

Tempo em estado líquido que escorre, circular, aredondado. Difuso, dissolvido.

Criando volta: espiralado, Leda M. M.

Se desse eu só ficava lendo. Mas acho que não ter mais tanto tempo assim para ler acaba valorizando mais o tempo que se tem para ler. Mais precioso, mais gostoso, passando pelos lugares (aulas, palestras) com um riso safadinho, procurando uma situação para ler.

Enfim, parece que tudo se explica pra mim. E eu confesso que isso é meio doido. Estar na minha cabeça pode ser muito doido às vezes, quando tenho essas sensações ultrassensoriais, mediúnicas de fato, quando o tempo começa a se enlaçar e a se desdobrar e a se autoexplicar na minha frente. E sinto cada vez mais. E a cada vez mais penso como amo todos Eles. Laroyê.

terça-feira, 8 de abril de 2025

horas a fio com ela, bárbara bela...(tela de tv)


Trechos de García Lorca por Bárbara T. para mim

 "creio que descobri hoje o segredo da minha existência: sou todas as mãos esguias de mulher com as unhas pintadas!..."


"pois como fixar tudo quanto me excedia... seguindo-lhe o corpo nu, embaralhava-me iludido: a sua beleza, de ilimitada, era labirinto. não findava nunca, contorcia-se. e meus olhos de esforço tinham medo dela num transviamento..."


"horas longes, porém, de medo infantil — só vos posso recordar em saudade (...). e assim, quantas horas até, durante o dia, lasso dos brinquedos sempre iguais, eu ansiava a noite, sinuosamente, para latejar a ela os meus receios prateados..."


"de resto, já sem mundo-interior, deportado dele para sempre, só de muito longe (e a muito vago) (...)  posso aqui referir o que sentia. apenas os seus olhos actuavam ainda a minha vida — os meus sentidos, as minhas recordações.

fomos sempre face a face"


"será perverso — mas vale bem mais do que os outros.

é todo intensidade, é todo fogo.

em frente dele reconheço o que quisera ser: o que sou erradamente"